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sábado, 1 de outubro de 2022

Orquestrando scripts python utilizando o pacote/biblioteca LUIGI

Em um outro post, falei de uma biblioteca chamada Pandas que serve para fazer a transformação de dados em Python. Hoje, vamos falar de uma alternativa de orquestrar Pipelines. Vejamos a biblioteca Luigi.



Vamos imaginar que você tenha dividido o seu trabalho da seguinte maneira:

$ python extracao_dos_dados.py

$ python limpeza_dos_dados.py

$ python juncao_dos_dados.py

$ python fazer_coisas_com_os_dados.py

Estas atividades são muito comuns em projetos de dados. Cada script realiza uma atividade, tudo "organizadinho". Esse conjunto de atividades é conhecido, no jargão da engenharia de dados como Pipeline. Daí toda vez que você for executar a pipeline como um todo, terá que executar cada um dos scripts. Quando estamos falando de um ou dois conjuntos de dados beleza, mas sabemos que não é assim que funcionam as coisas. Para cada conjunto de dados teríamos 4 scripts para realizar o processo mencionado acima. A medida que as pipelines se multiplicam, a situação fica muito complicada.

Daí um colega sugere de botar todas essas atividades num script só e depois uma rápida refatoração, o script faz_tudo.py pode ficar assim:

if __name__ == '__main__':

extracao_dos_dados()

limpeza_dos_dados()

juncao_dos_dados()

fazer_coisas_com_os_dados()

   

Isso é bastante simples de executar: $ python faz_tudo.py

Poderíamos também colocar tudo em um script bash, que chamaria esses scripts todos, em sequência, mas as deficiências serão mais ou menos as mesmas.

Ao avançar para um pipeline pronto para produção, há mais alguns aspectos a serem considerados além do código de execução de tudo. Em particular, o tratamento de erros deve ser levado em consideração:

try:

    extracao_dos_dados()

except ExtracaoDeDadosError as e:

    # handle this

Mas se encadearmos todas as tarefas individuais, acabamos com uma árvore de Natal de try/except:

try:

    extracao_dos_dados()

    try:

        limpeza_dos_dados()

        try:

            # Rapaz, aonde isso vai parar!

        except EvenMoreErrors:

            # ...

    except limpeza_dos_dadosError as e:

        # tratando limpeza_dos_dadosError

except extracao_dos_dadosError as e:

    # tratando extracao_dos_dadosError

Outro aspecto importante a considerar é como retomar um pipeline. Por exemplo, se as primeiras tarefas forem concluídas, mas ocorrer um erro no meio do caminho, como executaremos novamente o pipeline sem executar novamente as etapas iniciais bem-sucedidas? Poderíamos tratar com if.

# testando se uma tarefa já foi executada com sucesso.

if not i_got_the_data_already():

    # if not, run it

    try:

       limpeza_dos_dados()

    except limpeza_dos_dadosError as e:...

Percebe o quanto pode ficar complicado esse controle das pipelines, caso a pipeline seja implementada desta forma?

Para resolver essa situação de uma maneira mais elegante, eis que surgem diversas ferramentas para tratar esse problema entre elas está o pacote Luigi.

Luigi é uma ferramenta Python para gerenciamento de fluxo de trabalho. Ele foi desenvolvido pela Spotify, para ajudar a construir pipelines de dados complexos de trabalhos em lote. 

Alguns dos recursos úteis do Luigi incluem:

  • Gerenciamento de dependência
  • Pontos de verificação/recuperação de falhas
  • Integração / parametrização CLI
  • Visualização do gráfico de dependência

Existem dois conceitos principais para entender como podemos aplicar o Luigi ao nosso próprio pipeline de dados: Tarefas e Destinos. Uma tarefa é uma unidade de trabalho, projetada estendendo a classe luigi.Task e substituindo alguns métodos básicos. A saída de uma tarefa é um destino, que pode ser um arquivo no sistema de arquivos local, um arquivo no S3 da Amazon, ou ainda, algum dado em um banco de dados..

As dependências são definidas em termos de entradas e saídas, ou seja, se tarefa2 depende da tarefa1, significa que a saída da tarefa1 será a entrada da tarefa2.

Então vamos deixar de bla bla bla, partindo para a parte prática.

Para instalar o Luigi: $ pip install luigi

""" Trata-se de scripts que contem classes que extendem a
a classe luigi task
"""

import luigi
 
 #métodos que precisam ser implmentados
class Tarefa1(luigi.Task):
 #o método requires recebe as tarefas das quais ela depende.
 # neste caso a tarefa 1 não depende de nenhuma outra tarefa
    def requires(self):
        return []
 #o método output é a saída da tarefa que pode ou não virar entrada de
 #outra tarefa.
    def output(self):
        return luigi.LocalTarget("numbers_up_to_10.txt")
 #o método run é a implementação da tarefa o que ela faz.
    def run(self):
        with self.output().open('w') as f:
            for i in range(1, 11):
                f.write("{}\n".format(i))
 
class Tarefa2(luigi.Task):
    #veja que a tarefa2 depende da tarefa 1, ou seja, a tarefa 1 tem
    #que rodar primeiro para depois a tarefa dois rodar.
    def requires(self):
        return [Tarefa1()]
 
    def output(self):
        return luigi.LocalTarget("squares.txt")
 
    def run(self):
        with self.input()[0].open() as fin, self.output().open('w') as fout:
            for line in fin:
                n = int(line.strip())
                out = n * n
                fout.write("{}:{}\n".format(n, out))
                 
if __name__ == '__main__':
    luigi.run()

# para executar $ luigi -m run_luigi.py SquaredNumbers --local-scheduler

Este código apresenta duas tarefas: tarefa1 , que grava o número de 1 a 10 em um arquivo chamado numbers_up_to_10.txt , um número por linha, e tarefa2 , que lê esse arquivo e gera uma lista de pares number-square em squares.txt , também um par por linha.

Salve esse código em um arquivo chamado dag_luigi e execute o mesmo através da linha de comando.

$ luigi -m dag_luigi.py tarefa2 --local-scheduler

O primeiro argumento que estamos passando para o arquivo é o nome da última tarefa no pipeline que queremos executar. O segundo argumento simplesmente diz ao Luigi para usar um agendador local .

O Luigi cuidará de verificar as dependências entre tarefas, se a entrada de tarefa2 não estiver lá, então ele executará a tarefa tarefa1 primeiro, depois continuará com a execução.

Para criar uma tarefa, simplesmente precisamos criar uma classe que estenderá a classe luigi.Task e sobrescrever alguns métodos. Em particular:

  • require() deve retornar a lista de dependências para uma determinada tarefa — em outras palavras, uma lista de tarefas
  • output() deve retornar o destino da tarefa (por exemplo, um arquivo local, ou um a inserção dos dados em um Banco).
  • run() deve conter a lógica para executar

Luigi verificará os valores de retorno de require() e output() e construirá o gráfico de dependência entre as tarefas.

Para ver o gráfico de dependências e acompanhar a execução das tarefas,  o Luigi disponibiliza uma interface web que pode ser acessada através do endereço localhost:8082. Para disponibilizar essa interface rode no pronpt de comando a seguinte instrução em foreground $luigid ou em background $luigid --background

Interface web do luigi

Nem tudo são as mil maravilhas, o agendamento da execução da DAG é feita através do velho e bom Cron.

Existem outras alternativas e o apache Airflow é uma delas.

Bom pessoal, era isso. Obviamente tem mais coisa para ser estudada sobre essa biblioteca veja a documentação dela em https://luigi.readthedocs.io/en/stable/index.html




domingo, 21 de agosto de 2022

Datalake (Uma versão BIG DATA do DW clássico)

Houve um tempo em que era possível gerar relatórios gerenciais com dados extraídos das bases transacionais que subsidiam os sistemas de informação. Com o aumento do volume de dados, constatou-se que as consultas envolvidas na produção desses relatórios estavam comprometendo o desempenho dos sistemas.

No sentindo de resolver essa questão eis que surgem as bases de dados analíticas com dados extraídos de bases transacionais, modelados de forma dimensional de modo a otimizar a performance das consultas efetuadas. Surge aí o conceito de Data Warehouse,

Agora vamos imaginar um cenário com uma grande VARIEDADE de dados (estruturados, semiestruturados e não estruturados).

Quando se fala em BIG DATA, verifica-se que o mercado e as ferramentas até então usadas para trabalhar com dados, precisaram ser adaptadas para processar um volume e uma variedade maior de dados. E o quesito análise de dados não poderia ser deixado de lado. 

Há quem diga que um DATALAKE é uma versão moderna do DW clássico surgido nos anos 90. Assim como o Data warehouse, um Datalake é um armazém de dados corporativo com a diferença de que neste último, os dados contidos podem ser estruturados, semiestruturados, e não estruturados. Além disso, esse armazém de dados é hospedado em um ambiente distribuído (dados hospedados em um sistema de arquivos distribuído), escalável e tolerante a falhas.

Outra diferença entre Data Warehouse  e Datalake é a ordem de como as coisas acontecem. No caso do DW, as atividades do processo de trabalho é a extração de dados de banco de dados transacionais, transformação desses dados para um formato dimensional e em seguida, a carga desses dados em tabelas fato e tabelas dimensão, presentes no DW. No caso do Datalake, primeira é feita a ingestão  dos dados(extração), em seguida ocorre a carga desses dados no lake para a partir daí se faça a transformação destes dados. Esse processo é conhecido como ELT.

A estruturas que recebem os dados varia de projeto, mas basicamente é previsto uma área para receber os dados brutos, outra área para realização de transformações sobre os dados e por fim, uma área para manter um histórico dos dados. 

A ingestão dos dados para essas estruturas pode ser feita em lote (batch), aonde acumula-se os dados por um tempo ou ainda a  medida que os dados são gerados, sendo capturados em tempo real(streaming).  O Spark Streaming ou ainda um serviço de mensageria (Kafka ou RabbitMQ) podem ser utilizadas como ferramenta para apoiar o trabalho.

A medida que esses dados são trabalhados vão sendo armazenados nas devidas camadas. utilizando formatos diversos de BIG DATA( Parquet, ORC, AVRO) visando economia de espaço em disco e velocidade de consulta. Para apoiar esse trabalho, geralmente utiliza-se uma engine de processamento de BIG DATA (Spark, Hadoop, Flink, entre outras) e alguma ferramenta de orquestração das atividades envolvidas( apache airflow, Oozie, etc).

No caso do DW os dados são consultados na bases dimensionais do mesmo. E no caso do DL como disseminar a informação? Podemos indexar esses dados numa ferramenta de busca como o Elastic, armazenar os dados em um banco de dados NoSQL, ou ainda, jogar os dados tratados sob o formato de arquivo, numa ferramenta do tipo DMS (CKAN).

Com os dados tratados, é possível disponibilizar a informação através de ferramentas de visualização do tipo Self Service BI (Tableau, Qlik, PowerBI, apache superset, KIBANA entre outras), mas aí é assunto para outro post. 

Inté!